Maria Teresa de Arruda Campos (Presidenta / MAB)

Apresentação

Maria Teresa de Arruda Campos, 47 anos, mãe do Leonel, William e Vitor. Sou formada em Psicologia e em Pedagogia. Fui professora no curso de Psicologia da UNIMEP por 12 anos, fui diretora da Escola Semente e do Colégio Anglo de Rio Claro. Nos últimos 4 anos estou atuando no Terceiro Setor, coordenando projetos do Centro de Voluntariado de Rio Claro, implantando projetos de Responsabilidade Social em algumas empresas e na Gestão do Movimento de Adolescentes Brasileiros.

Mab-Online: Como você conheceu o MAB?

Maria Teresa: Conheci o MAB em 1993, a convite da Fundação Odebrecht logo depois de ter um trabalho da Escola Semente como vencedor de um concurso promovido por esta Fundação. Na época ainda não era MAB, pois só aconteciam os ENAS, e eles nos indicaram para participar do 3o. ENA com o grupo vencedor do Prêmio.

Mab-Online: Como você vê a formação do Movimento e o seu momento atual e futuro?

Maria Teresa: Acredito muito na capacidade criativa, nos laços afetivos e no talento das pessoas que se juntaram neste Movimento. No MAB existe uma reciprocidade, uma solidariedade difícil de se encontrar em outros meios. Vejo que se trata de uma rede que está aprendendo a se organizar em rede. Temos diferenças que ajudam a fortalecer e a construir algo sólido. Falta infra-estrutura tanto par o MAB como para a maioria dos grupos e isso dificulta o avanço do Movimento. É muito comum participarmos de cursos e palestras e observarmos que estamos muito adiante em nossas ações, mas que nos faltam coisas como: sistematização, agilidade na comunicação, visibilidade e recursos financeiros para ir adiante com mais rapidez.

Mab-Online: Como é ser presidente do MAB?

Maria Teresa:

Mab-Online: O que você vê como elo de ligação dos grupos do MAB?

Maria Teresa: Primeiramente vejo que temos sonhos semelhantes: temos a certeza de que podermos construir um mundo melhor e que a juventude pode contribuir de forma decisiva para isso. Depois acredito na força de nossos projetos, de nossos encontros que estão sempre nos ensinando algo e nos unindo mais.

Mab-Online: Em Rio Claro o movimento de adolescentes tem tido um grande avanço no modo como a sociedade vê o adolescente, isso em grande parte se deve aos trabalhos do Centro de Voluntariado, EMAS e apoios do governo municipal. Como você vê esse avanço e os trabalhos dos grupos de Rio Claro?

Maria Teresa: Acho que vocês já responderam. O trabalho dos grupos de Rio Claro vem provar que precisamos fazer parcerias locais e que se sensibilizarmos as estruturas locais nossos objetivos e metas podem ser alcançados. Em Rio Claro temos Atitude Consciente com Voz Ativa e CriativAção para que nosso Rumo seja certo. Esta é uma brincadeira com os nomes dos grupos do Centro de Voluntariado que tem tido uma diretoria que apóia e dá asas a toda e qualquer atividade que a moçada invente. Também temos educadores e educadoras que trabalham incessantemente para dar suporte aos diferentes programas da Organização.

Mab-Online: Como você vê os movimentos sociais como um todo no país?

Maria Teresa: O Brasil tem muitas coisas a serem mudadas para que os direitos de seus cidadãos e cidadãs sejam respeitados. Vejo que o grande número de movimentos se deva a isso. A cada conquista outras se impõem porque vivemos por muito tempo privilegiando alguns em detrimento do bem estar coletivo. Tivemos muitos governantes que não souberam separar o que é público do que é particular e usaram os bens e o dinheiro público em benefício próprio. Essa postura foi muito prejudicial para nosso país e para o seu crescimento justo. Os movimentos sociais nascem para lutar por direitos e por participação social.

Mab-Online: Cada vez mais o terceiro setor ganha espaço no Brasil, como você vê os financiamentos e apoios governamentais e privados ao terceiro setor?

Maria Teresa: De um modo geral o terceiro setor tem sido reconhecido por sua transparência e por sua habilidade em cuidar de necessidades sociais. O terceiro setor não deve ocupar o lugar do primeiro setor e sim atuar em parceria e denunciar as omissões deste. Sabemos que o terceiro setor precisa mostrar sua eficiência (capacidade e competência), batalhar sua sustentabilidade (recursos financeiros e humanos), realizar parcerias (governamentais, empresariais e com outras Organizações) e lutar por uma legislação que de fato contribua para seu avanço. O Terceiro Setor tem sido uma opção de profissionalização para a juventude.

Mab-Online: Fale um pouco de Participação Social da Juventude e o MAB com relação a isso

Maria Teresa: A juventude sempre se apresentou como promotora de mudanças sociais significativas. A ousadia, característica marcante da juventude, tem sido a grande responsável por inúmeras mudanças no mundo e no Brasil.
Acredito que a parceria entre jovens e adultos com sonhos e valores semelhantes, poderá alcançar a solução para grande parte de nossos problemas. Por muito tempo a juventude e, em especial, os e as adolescentes foram tratados como um problema e somente agora esta discussão de sua inserção na sociedade como parte da solução vem ganhando terreno. Esta conquista é fruto de movimentos como o próprio MAB, de educadores e educadoras e de conquistas de adolescentes e jovens mostrando para a sociedade que estão juntos nesta tão falada construção de um mundo melhor. Colocando-se como parte da solução, eles e elas construíram novas relações sociais e com isso conquistaram sua cidadania.

Mab-Online: Fale um pouco sobre Políticas Públicas para Juventude e o MAB com relação a elas.

Maria Teresa: A discussão de formulação de políticas públicas para a juventude passa pela discussão da juventude como participante na construção destas políticas. O MAB tem lutado para que adolescentes e jovens sejam ouvidos pelos poderes constituídos para que estas políticas públicas possam ser adequadamente formuladas e com isso atinjam seus objetivos. Não é mais possível a elaboração de políticas públicas acontecer em gabinetes fechados e distantes de seus maiores interessados.

Mab-Online: Fale um pouco sobre o que o MAB está pensando sobre a produção de conhecimento...

Maria Teresa: O MAB tem realizado ações e produzido muito conhecimento. O nosso problema é que não estamos registrando e mais do que registrar, não estamos escrevendo e avaliando o que estamos fazendo. Escrever é possibilitar um pensar a nossa prática. Isso não é uma dificuldade do MAB, mas geral. Temos pouco desenvolvido este hábito de registrar, escrever, analisar e avaliar. Estamos sentindo esta necessidade. Em 2002, conseguimos registrar e produzir um livro e uma revista a partir de dois projetos coletivos (um apoiado pela Coordenação Nacional de DST/AIDS e o outro pelo Programa Paz nas Escolas do Ministério da Justiça) . Isso deu muita repercussão para o trabalho do MAB.
Estamos agora levantando a história de cada grupo filiado. Com isso teremos um material riquíssimo, pois a qualidade das intervenções e a preocupação com a participação efetiva dos adolescentes e jovens está sempre na linha de frente de nosso trabalho.

Mensagem do entrevistado:
Acreditar que é possível nos faz ter forças para construir um novo conceito de viver em sociedade.
É muito bom partilhar com os grupos esta possibilidade.